ouço raul seixas e penso na vida. esse é aquele intervalo em que o ano que foi ainda está aqui e o ano que chegou ainda não está totalmente instalado. 2008 foi um bom ano pra mim e para as pequenas ('pequenas' é maneira de falar, claro). ouço esse rock caipira de raulzito e venho pensar no futuro, por mais contraditório que pareça. tenho vontade de fazer muitas coisas este ano, mas não vou prometer nada. chega de promessas e lista de compromissos que são abandonados antes do carnaval.
estava me devendo ver um john ford, que algumas pessoas falam que é das coisas mais legais em se tratando de cinema americano. fui direto para, talvez, o seu filme mais conhecido, uma das tantas parcerias com john wayne, "rastros de ódio". gosto de western, e gostei de cara dos grandes planos de ford e das belas imagens, uma atrás da outra. a forma de contar a história é curiosa, porque é um dos filmes mais violentos que tenho visto, sem que se mostre qualquer imagem de sangue. é uma violência, digamos, subtendida, que não se mostra, e nem por isso é menos forte, impactante. faz diferença para quem vê tanta pancadaria explícita nos filmes atuais. mas o interesse de ford é contar bem a história e solicitar o espectador para que participe, imaginando aquilo que ele não mostra. o roteiro, a seqüência de cenas, a amarração de tudo é muito orgânico, flui muito bem, fica fácil de acompanhar. john wayne é o astro de que sempre ouvimos falar, tem aquele jeitão calado, carismático, e que sabe o que faz, onde pisa, como se mexer, para onde olhar. é uma história de violência e vingança, que diz bastante sobre a américa do período, fins dos século xix. e que trilha sonora deliciosa é aquela de max steiner?
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